quinta-feira, maio 26, 2022

Blues rock do interior

Divulgação

Matheus, Lucas e Luiz Henrique

Os últimos dois anos foram de constâncias e mudanças para a banda Christoferson. Desde o lançamento de Buffalo, seu disco de estreia, a formação é a mesma, mas a distância geográfica é outra. Luiz Henrique, o baterista, está estudando em Curitiba, enquanto Matheus Angeli e Lucas Piaceski, respectivamente, baixista, guitarrista e vocalista, continuam em Pato Branco.

A mudança afetou o processo de criação da banda, que passou a compor e gravar a conta gotas, já que procurar um novo integrante estava fora de cogitação. Não conseguimos imaginar a banda sem um de nós, taxa Lucas. 
Manter uma formação coesa por muito tempo é um grande desafio para a frágil e pouco rentável cena roqueira local, mas um esforço importante para cimentar uma identidade e assim produzir material relevante.

Para isso, o trio passou a compor e gravar o que podia nas visitas de Luiz Henrique a Pato Branco. Em maio sairá o resultado desses encontros, Scarlet Foot, o segundo disco da banda, que assim como seu antecessor foi gravado com apenas um microfone Blue Yeti.

Lucas conta que o disco foi costurado no período de oito meses, o que contribuiu para que o trabalho saísse mais heterogêneo. Não dá pra dizer que o álbum tem um estilo. Matheus emenda. Como as músicas foram feitas aos poucos elas não seguiram o mesmo ritmo, a mesma linha.

Mesmo assim, muito da cozinha blues rock da Christoferson está lá. O disco também tem alguns temperos de rockabilly, assim como um gás extra no baixo e na bateria, para dar mais ritmo ao trabalho, justifica o vocalista, que completa. Eu tenho ouvido muita disco music dos anos 80, algo que acabei aproveitando nas composições.

Outras músicas que já vinham sendo divulgadas desde o ano passado na internet, como Sun and Powder e Olives Catcher, também apareceram no trabalho

Pés vermelhos

Os integrantes da Christoferson não acreditam que sua sonoridade constitui um casamento perfeito com a língua portuguesa. Mas nem por isso a banda descarta suas origens, algo que se buscou evidenciar em Scarlet Foot, começando pelo título do álbum (pé escarlate, em português).

A capa é outra referência local, um registro de 1965 do fotógrafo João de Paula, que mostra um menino chutando uma poça d´água em uma rua do centro de Pato Branco. Sempre fui fã do João de Paula, e dessa foto em especial, que acabou fazendo muito sentido com as músicas, diz Lucas.

Divulgação/João de Paula

Capa de Scarlet Foot. Uma poça, chutada na Pato Branco dos anos 60.

Apesar da dedicação, o objetivo do grupo é módico. O reconhecimento além das fronteiras do Sudoeste seria bem-vindo, mas por enquanto, a meta é faturar o suficiente para gravar um próximo álbum. A gente faz música por que gosta. Seria um sonho fazer sucesso, mas se isso não acontecer vamos continuar tocando, conta Matheus.

Muito provavelmente Scarlet Foot não terá versão física, mas o formato digital está a venda no ITunes.

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