quinta-feira, maio 26, 2022

A dama interpreta sua arte

João Caldas/Divulgação

Ewa Wilma, interpreta Blanca Estela Ramírez, em Azul Resplendor

Fotografa dali que a luz está lá. De luz eu entendo. Foi assim que, em uma coletiva de imprensa, Eva Wilma me deu um toque sobre fotografia. Ela, que já rodou por palcos, estúdios e cenários suficientes para entender de iluminação e de várias outras coisas.

Eva Wilma foi atriz em 60 dos seus 80 anos de idade. Atuou em 22 filmes, 30 espetáculos teatrais e já nem lembra mais quantas vezes apareceu na televisão, mídia que a consagrou na pele de personagens como Maria Altiva Pedreira de Mendonça e Albuquerque (oxente my god!), da novela A Indomada. E parece que ainda há muito fôlego, pois ela continua no palco e na estrada. A atriz é a estrela da peça Azul Resplendor, uma brilhante brincadeira com o universo teatral escrita pelo peruano Eduardo Adrianzén, que viajou o país e passou por Pato Branco.

Sua personagem é Blanca Estela Ramírez, uma diva do teatro que volta à cena após décadas de um exílio voluntário. A razão do retorno e seu desenrolar são o mote do espetáculo, que aproveita o enredo para, de certo modo, debochar de algumas personas, como o diretor egocêntrico, o eterno coadjuvante e os jovens atores, bonitos por fora e vazios por dentro, que fazem de tudo para entrar no mercado.

Ele (o autor) critica com humor todos nós que trabalhamos com as artes cênicas, e acrescenta, de forma poética, reflexões sobre a finitude da vida e uma declaração de amor ao trabalho do ator, analisa a atriz que é acompanhada no elenco por Genézio de Barros, Luciana Borghi, Débora Veneziani, Felipe Guerra e pelo paranaense Guilherme Weber. A direção é de Renato Borghi e Elcio Nogueira Seixas.

Azul Resplendor é divertidíssima para o público em geral e uma desforra para quem já esteve perto ou dentro de uma companhia teatral e afins. Quase todos os clichês, tipos e situações da montagem e dos bastidores de um espetáculo estão lá, postos em movimento pelo competente elenco. Eva classifica os personagens como humanamente interessantes, por mostrarem nas cenas seu lado pessoal e artístico. Todos eles são muito engraçados e emocionantes.

Escola

Uma vida inteira de laboratório não eximiu Eva dos estudos que deram vida a Blanca. Mesmo com seis décadas de palco nas costas, a atriz conta que ainda estuda muito, de preferência ouvindo música clássica. Para que qualquer coisa saia bem feita você precisa estudar, taxa.

E para ela, não há melhor escola cênica do que o teatro. Gosto da velocidade da televisão. Gosto de fazer cinema quando me ligo muito no diretor. E gosto de fazer teatro porque é a escola do ator, é onde ele está de corpo inteiro, ao vivo, de alma inteira. De vez em quando eu preciso voltar pra escola, senão eu paro de evoluir.

Carreira

Azul Resplendor é uma homenagem ao teatro e também a carreira de Eva Wilma. No site do espetáculo há um convite para que o público envie vídeos com depoimentos sobre personagens marcantes da atriz, que começou a carreira em 1953. A mais lembrada, segundo a própria, é Maria Altiva, de A Indomada.

Ruth Araújo e Raquel Araújo Assunção, da primeira versão de Mulheres de Areia também estão na memória do público, assim como Marta, a médica do seriado Mulher, programa que a atriz considera como socialmente importante.

A trama de 1998 apresenta o cotidiano de uma clínica especializada no atendimento ao público feminino. Dos filmes, Eva diz se orgulhar de São Paulo Sociedade Anônima, dirigido por Luiz Sergio Person e lançado em 1965. Durante a carreira, a atriz transitou com frequência pela TV, teatro e cinema, mas diz não preferir um ou outro. Eu sou atriz, gosto é de atuar.

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