quinta-feira, maio 26, 2022

O que fazem os hackers?

Foto: Helmuth Kühl

O local do encontro era bem diferente do que o cinema e a TV costumam mostrar. Nada de quartos escuros, iluminados pela luz de monitores operados por nerds esquisitões com caras de poucos amigos. A reunião aconteceria em uma garagem, que a julgar pela decoração festiva costuma ser cenário de animados churrascos. 

Os participantes também não tinham cara de quem planejava saquear contas bancárias. Para quem só associa a palavra hacker a criminosos virtuais, a reunião do Pato Livre Hacker Club causaria um nó na cabeça.

Dela costumam participar jovens entre 20 e 30 anos, graduados em cursos ligados à tecnologia, e que podem ser descritos como idealistas. Um hacker é um entusiasta que acredita que a tecnologia pode mudar o mundo, ilustra Dyego Cantu.

Ele explica que a cultura hacker é um universo bastante abrangente, mas de modo geral, hackear significa modificar algo para realizar funções para as quais  não foi projetado.

O exemplo mais clássico remonta as raízes do movimento, nos Estados Unidos do final dos anos 1950. Um grupo de estudantes do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, o MIT, entusiastas de ferromodelismo, fundaram um coletivo para criar formas de usar computadores e centrais telefônicas no aprimoramento de seu passatempo. 

Cantu cita outro exemplo: um engenheiro da Apple aprimorou um sistema de escuta telefônica a partir da frequência de som de um apito de brinquedo, do tipo que vem de brinde em caixas de cereal.

Apesar de estar bastante atrelado às tecnologias, o conceito de modificar para realizar algo novo se aplica a qualquer coisa, tanto que há curiosos de diferentes áreas interessados no assunto. Os mais engajados costumam participar de coletivos que debatem, disseminam e exercitam o hacking.

Grupo
Somos um monte de gente legal, apaixonados por tecnologia e fazemos coisas bacanas como eletrônica, programação, arte digital, robótica e o que mais a criatividade permitir. Hackers, para os mais íntimos. Este é o primeiro parágrafo do manifesto do Pato Livre Hacker Club, que já sugere o tom de suas diretrizes. 

Sua cartilha prevê pouco protocolo e muita conversa e mão na massa. O grupo articula suas discussões em um fórum na internet, aberto a qualquer interessado (groups.google.com/forum/#!forum/patolivre), e promove encontros frequentes, cuja pauta muitas vezes é definida in loco.


Hackers Notáveis

Quem são e o que fizeram alguns dos nomes mais conhecidos da cultura hacker

Richard Stallman

Também conhecido como rms, Stallman é um notório programador e ativista. É considerado o fundador do movimento software livre, sendo o autor da GNU General Public Licence, uma das licenças livres mais utilizadas no mundo. Suas bandeiras políticas envolvem principalmente o combate à expansão das leis de copyright e a patente de softwares.

Foto: Jared and Corin/CC BY-SA 2.0


Mitch Altman

Altman é inventor e um dos grandes responsáveis pela popularização do conceito hackespace, ambientes que incentivam a prática do hacking e consequentemente a inovação tecnológica. Foi também o inventor do TV-B-Gone, um controle remoto universal que foi criado com o intuito de desligar televisores em locais públicos. Altman definiu sua invenção como  um dispositivo de gestão ambiental.

Foto: Alexander Klink/CC BY 3.0


Aaron Swartz 

O jovem Aaron Swartz foi um dos mais notórios ativistas pela liberdade de circulação de informações na internet. Ele esteve envolvido na criação do feed RSS, da Creative Commons, e do Reddit. Sua organização, a demandprogress.org, teve um importante papel no bloqueio das leis SOPA/PIPA, nos Estados Unidos, consideradas ameaças a liberdade na internet. Em 2011, ele foi acusado de invadir os computadores do MIT e copiar cerca de 5 milhões de artigos acadêmicos com a intenção de distribuí-los na internet. Swartz cometeu suicídio em janeiro de 2013, aos 26 anos de idade. Família e amigos acreditam que o processo o tenha levado à depressão. 

Foto: Sage Ross/CC BY-SA 2.0


Somos um monte de gente legal, apaixonados por tecnologia e fazemos coisas bacanas como eletrônica, programação, arte digital, robótica e o que mais a criatividade permitir. Hackers, para os mais íntimos. Trecho do manifesto do Pato Livre Hacker Club

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