quinta-feira, maio 26, 2022

Fábrica de Ideias

Fotos: Helmuth Kühl

O jovem Jhonny Rockemback Kraemer alternava a atenção entre os slides, que guiavam seu raciocínio, e o público, a quem apresentava um projeto de que pretende atacar o problema da evasão escolar.

Apesar da pouca idade, não muito mais do que 20 anos, o rapaz demonstrava segurança no seu trabalho, e parecia muito calmo, mesmo sendo sabatinado por gente como o secretário de ciência, tecnologia e inovação de Pato Branco.

Kraemer precisava convencer a audiência de que sua ideia era viável como empresa, e assim conquistar uma vaga na Incubadora Tecnológica de Pato Branco (ITECPB), uma das várias instituições que funciona no Parque Tecnológico do município.

Vencer a etapa significaria garantir uma série de subsídios a custo mínimo para tirar sua ideia do papel, como espaço físico, acesso à internet, linha telefônica e mobiliário básico, transformá-la em empresa e, no futuro, gerar emprego, renda e inovação.

Jhonny Kraemer, na banca da  ITECPB

Investir em ideias subsidiando projetos de novas empresas não é algo novo no Sudoeste, mas é um processo que ganha mais evidência em um ecossistema regional de inovação cada vez mais promissor. A criação da ITECPB, subordinada ao poder público municipal por meio da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação, é um exemplo recente de expansão dessa cultura, comum nas universidades.

A função principal é alavancar, dar subsídios para que essas empresas tenham condições de se formalizar e entrar no mercado, explica Nelito Zanmaria, que em dezembro passado respondia pelo Incubadora na ausência do diretor, Lúcio Paulo Nunes.

Para isso, além de uma sala e estrutura dentro do Parque Tecnológico, os responsáveis pelos chamados projetos incubados também recebem treinamentos, orientações e serviços em vários segmentos, como na área de gestão de negócios, por exemplo.

Nelito explica que muito disso se dá por meio de parcerias com empresas e entidades locais, como escritórios de contabilidade, de serviços de internet, na área jurídica, o sistema S, entre várias outras.

Em resumo, a função da incubadora é capacitar os empreendedores no maior número possível de aspectos envolvidos em uma empresa, desde a tecnologia até o marketing, a gestão e o capital, pois ter uma ideia, ou ser capacitado em uma determinada técnica, costuma não bastar.

Seleção
Segundo Nelito, a semente da ITECPB surgiu por volta de 2012, com a incubadora então amparada pela Pato Branco Tecnópole, absorvida posteriormente pelo município.

No Parque Tecnológico, a incubadora municipal tem estrutura para abrigar até 50 projetos. Até dezembro de 2016 havia um projeto formalmente incubado, e cerca de 35 a 40 em alguma das etapas preliminares. Como contrapartida, os empreendedores pagam um valor simbólico de R$70,00 mensais, e se comprometem a participar das atividades promovidas pela incubadora.

Parque Tecnológico de Pato Branco, sede do ITEC-PB

Explicando superficialmente, existe a pré-incubação, etapa onde as ideias são lapidadas e desenvolvidas; e a incubação, onde são executadas. Os candidatos precisam se submeter às condições de um edital, cumprindo etapas que envolvem a banca avaliadora.

Apesar de a grande maioria das ideias estar ligada à área de software, Nelito explica que são aceitos projetos de empresas de vários segmentos da economia, desde que possuam um caráter de inovação.

Quando ingressou na incubadora, há cerca de um ano, Evandro Machado, CEO da WideSys, já estava com a empresa bem adiantada. Entre criação, aprimoramento e validação, seu software para gestão imobiliária já completava três anos de existência, e a empresa já contava com alguns clientes.

Apesar disso, Machado diz que a incubadora possibilitou o acesso a dois elementos-chave: estrutura física e monitorias, que no mercado teriam custo maior.  A grande dificuldade é entrar no mercado e mostrar o seu produto ou serviço. Se você tem um capital de giro, você consegue fazer as coisas andarem mais rapidamente, avalia.

Evandro Machado, da WideSys, incubada na ITEC-PB

Nelito pontua que a falta de dinheiro para iniciar uma empresa é uma dificuldade comum entre os novos empreendedores. Um segundo entrave está na falta de conhecimento sobre gestão, muitas vezes em quesitos básicos como avaliação de custo e preço.

Inobram
O empresário Cleverson Brandelero e seu sócio, Fernando Gnoatto, perceberam parte dessas dificuldades no desenvolvimento de sua ideia. Eles precisavam de um espaço e também do aparato técnico para criar seu projeto, uma balança para automatizar a pesagem de animais em aviários.

Os tecnólogos em eletrônica pelo então Centro Federal de Educação Tecnológica do Paraná (Cefet-Pr), buscaram na incubação de empresas um modo de, literalmente, transformar o sonho de um negócio próprio em realidade. Quase 13 anos depois, sua empresa, a InoBram Automações, possui um grande catálogo de produtos para automação agroindustrial, conta com 79 funcionários e vende para todo o Brasil, vários países da América Latina e África.

Eles desenvolveram seu projeto no Programa de Empreendedorismo e Inovação (Proem), ainda em funcionamento na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), antigo Cefet. Além do suporte nas áreas de gestão e na estrutura, Brandelero menciona que a incubadora da universidade também permitiu o acesso a laboratórios e contato com professores, o que permitiu o aprimoramento da ideia. Sem esse suporte teríamos tido mais dificuldade. Primeiramente, porque não tínhamos dinheiro para contratar ou investir em treinamentos, cita.

Cleverson Brandelero e Fernando Gnoatto, da Inobram. Da incubadora para o mercado

O projeto ingressou na primeira etapa do processo, o hotel tecnológico, em 2002. Em 2004, o projeto entrou na incubadora, ano em que InoBram nasceu formalmente. Quatro anos depois, a empresa estava no mercado por conta própria.

De modo geral, em praticamente todas as incubadoras, a empresa tem um prazo para conseguir se manter com as próprias pernas, mas Brandelero conta que os laços não são totalmente rompidos. Nós ainda somos muito próximos da incubadora e da universidade.

Proem
Em 15 anos de existência, o Proem, ligado à UTFPR, graduou cerca de dez empresas que atuam no Sudoeste, sendo uma das instituições pioneiras na incubação de empresas no município. A maioria dos negócios fomentados são na área de tecnologia, sobretudo no ramo de softwares e aplicativos.

Atualmente, o programa conta com capacidade para 20 projetos e empresas, sendo 10 projetos no Hotel Tecnológico, fase de pré – incubação, e 10 empresas na Incubadora de Inovações Tecnológicas (IUT).

Sede do Proem, a incubadora de empresas da UTFPR (Crédito: Divulgação)

Segundo Marcio Gazolla, vice-diretor de relações empresariais e comunitárias (Direc), e chefe do Departamento de Apoio e Projetos Tecnológicos (Depet) da UTFPR, a seleção é feita de acordo com as diretrizes de um edital de fluxo contínuo, disponível para consulta no site do programa (http://bit.ly/Proem). Informações também estão disponíveis na página do programa no Facebook (facebook.com/proempatobranco).

Também fazem parte da equipe gestora do Proem, Geocris Rodrigues dos Santos, gerente da Incubadora de Inovações da Universidade Tecnológica (IUT), e Shirley Suellen Thesari, técnica administrativa do Departamento de Apoio e Projetos Tecnológicos Depet/Direc).

Em resumo, a seleção envolve entrega de documentação e apresentação de plano de negócios para uma banca de avaliadores. Os aprovados são chamados para uma reunião de ambientação, na qual conhecem as regras do programa e assinam seus contratos de pré-incubação e de incubação com a UTFPR. Em seguida, os projetos pré-incubados e as empresas possuem até dois anos para desenvolverem sua ideia, podendo o contrato ser renovado por mais um ano, quando houver necessidade.

Treinamento no Proem (Foto: Divulgação)

Apesar de estar vinculado à UTFPR, a participação é aberta à comunidade em geral para propostas de ideias empreendedoras e que possuam algum grau de inovação.

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