quinta-feira, maio 26, 2022

Touchdown! “daí”

*Matéria publicada originalmente na edição de Vanilla de agosto/setembro de 2016. Fotos: Helmuth Kühl

Para quem só tinha ouvido falar da modalidade pela televisão, talvez a definição do site da ESPN seja a mais adequada: o esporte é conhecido como filho do rugby e neto do futebol de bola redonda.

Aqui no Sudoeste existe uma galera que conhece o esporte além do que se vê pela televisão. Eles se encontram nas tardes de domingo no gramado do bairro Industrial, em Francisco Beltrão. 

Até aí é tudo parecido com o futebol tradicional: um campo, uma bola e 11 jogadores. Contudo, neste caso, a bola é oval, o campo é dividido por jardas, e na verdade, são 22 no time: 11 na defesa e 11 no ataque.

Com a posse da bola, o time precisa tentar avançar gradualmente em jogadas de curta duração, chamados de downs. Se conseguir levar a bola até a endzone do adversário, marca touchdown e conquista seis pontos. Em um modo bem didático de explicar, o jogo é assim. 

Os atletas
O grupo descobriu a paixão pelo esporte por meio da televisão. Aos poucos foram juntando admiradores do futebol americano aqui e ali. Hoje, a região conta aproximadamente com 35 atletas das cidades de Pato Branco, Francisco Beltrão, Dois Vizinhos e Marmeleiro. E o nome do time não poderia ser melhor: Sudoeste Red Feet. O presidente é Luiz Otávio Quadros. 

Junto com outras equipes idealizaram a Copa Fronteira de Futebol Americano. O objetivo vai além de disputar medalhas e estar à frente em qualquer ranking. O que os jogadores querem de verdade é divulgar o esporte e mostrar às novas gerações que é possível curtir modalidades diferentes, e que, até pouco tempo atrás, pareciam tão distantes da piazada sudoestina.

Que o diga Evandro Luís Grando, 23 anos. Há dois, ele reside em Pato Branco, e assim que descobriu que por essas bandas havia um time, decidiu manter os treinos. Meu interesse começou assistindo aos jogos na televisão. Na época eu morava em Maringá, e fiquei sabendo que havia um time lá. Resolvi ir atrás. Acabei entrando, disputei dois jogos; fora os treinamentos.

A princípio, como diz Evandro, as regras do futebol americano parecem difíceis. Mas quando se treina e se compreende os regulamentos, o jogo é pura diversão e muito raciocínio.

Rackson Richetti Korb, 24 anos, mora em Francisco Beltrão e se aventura nos gramados do futebol americano desde janeiro. A convite de um amigo começou a participar dos treinos. Não tinha pretensão de se tornar jogador, apesar de gostar da modalidade que já tinha visto pela televisão, mas bastou entrar no mundo do futebol americano, para não querer saber de outro esporte. É fantástico, tem um conceito de equipe e união muito forte; é gratificante poder contribuir, de alguma forma, para o crescimento do esporte em nosso país.

O jogo
Um dos diferenciais desse esporte é o gramado. Desenrola-se, basicamente, numa disputa de avanço de jardas. Os times são formados por 11 jogadores de defesa e de ataque. Quem tem a posse de bola, pela lógica, é o ataque, cuja função é tentar superar a defesa e avançar jardas por meio de passes ou de corridas com a bola. O objetivo é chegar a endzone adversária para pontuar.

E a modalidade não é tão violenta quanto parece. Parece violento, mas não é. Depois que comecei a praticar, vi que é um esporte extremamente organizado e inteligente no quesito de faltas, que visam a proteger a integridade do atleta. Quando há força excessiva e contatos ilegais em alguma jogada, os jogadores são penalizados. Não pode simplesmente ‘bater’ em seu adversário de qualquer forma e a qualquer hora do jogo.

Físico e mente
Como se trata de um jogo de avanço há muitas corridas dentro do gramado e o jogo se torna desgastante. O ponto positivo é que quando uma equipe joga, a outra descansa – nunca defesa e ataque de um mesmo time vão jogar ao mesmo tempo. Primeiro entram 11 jogadores em campo, enquanto os outros, do lado de fora, relaxam.

E é bom que se diga: a regalia de relaxar fica para o físico, porque a cabeça precisa estar ligada em todas as jogadas. O futebol americano exige muita inteligência tática, visto que o objetivo é o ganho de território do adversário. Lembra os jogos de RPG e até um tabuleiro de xadrez. É importante pensar muito qual será a jogada executada, e da mesma forma, a defesa tem de estar atenta para evitar.

Tem compromisso? Está dentro
Além de requisitos como força de vontade, um pouco de jeito e alguma técnica, no futebol americano a palavra de ordem é comprometimento. Não sei de nenhum time de F.A do Brasil que existe apenas por passatempo. Todo time busca participar de torneios e melhorar seu nível técnico, e para isso, precisa de atletas que compareçam aos treinos e vistam a camisa pelo time, salienta Rackson.

E não há limite de idade para jogar. Joga quem quiser, seja qual for seu porte físico. No Sudoeste Red Feet há jogadores de diversos tipos físicos, de várias idades. 

Quer saber mais sobre o time da região? Confira a página no Facebook do Francisco Beltrão RED FEET – Futebol Americano. Lá há informações sobre o esporte, treinos e jogos. 

 

Curiosidades
– O jogo é dividido em quatro períodos de 15 minutos, totalizando 60 minutos de partida.

– Cada equipe tem 11 atletas em campo. Não há limite de substituições, e os jogadores podem entrar e sair da partida quantas vezes o técnico quiser. Nas jogadas de chute, entra os chamados especialistas.

– No começo usava-se a mesma bola do rugby. Ao longo do tempo ela sofreu algumas mudanças, como a diminuição da espessura, que facilita o passe/lançamento. 

– As bolas usadas são geralmente feitas de couro bovino. São na cor amarronzada e têm superfície enrugada, para facilitar a pegada e evitar deslizes. As pontas são pintadas para ajudar a visão noturna do recebedor.

Investimento 
Se você, leitor, curte a modalidade e está interessado, temos que lhe dar algumas notícias. A primeira: futebol americano é um esporte relativamente caro.  Primeiro, há o custo da chuteira. Mas o que pesa mais são as proteções, que variam de R$ 400 a R$ 600. E tem ainda o capacete, numa média de R$ 400 a R$ 2.500. 

O custo de manutenção dos equipamentos, porém, é baixo, o que significa que você terá que gastar uma bolada logo de cara. Mas, por outro lado, ficará anos sem colocar a mão na carteira. 

E tem ainda outra observação. Dá para começar a praticar sem ter os equipamentos, compartilhando as proteções durante os treinos e jogos. Com o passar do tempo, os atletas ganham experiência e fazem o investimento, até porque, é imprescindível jogar com o uniforme completo.

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