quarta-feira, maio 25, 2022

Uma carreira, um projeto

O neurocirurgião Cleverson Galvan completa dez anos de atuação em Pato Branco. O marco coincide com a primeira década do serviço de Alta Complexidade em Neurocirurgia do Hospital São Lucas, um importante feito para o setor de saúde da região

Por Nelson da Luz Junior – Fotos: Marcel Almeida

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Há cerca de dez anos, o médico Cleverson Galvan iniciou sua carreira como neurocirurgião de um modo bastante intenso. Recém terminada sua residência, no Rio Grande do Sul, Galvan passou a atuar em Pato Branco, sendo o único especialista de sua área a atender no Hospital São Lucas.

Foram tempos de atenção integral as demandas do centro cirúrgico. Por cerca de um ano, em 2008, o médico não passou uma manhã, tarde ou noite sequer longe de Pato Branco. Ele precisava estar sempre à disposição, tanto para as demandas eletivas quanto para situações de emergência, como uma vítima de um acidente de trânsito, no meio da madrugada – algo que inclusive ainda faz parte de sua rotina.

Ele lembra de uma situação bastante excepcional, mas que ajuda a ilustrar aqueles dias frenéticos. Em uma noite, uma sequência de acidentes nas estradas da região resultou em vários pacientes que precisaram de seus cuidados, vindo de municípios diferentes, como São João e Itapejara D´Oeste.

Foi uma sequência de três cirurgias. Galvan apenas teve tempo de jantar, voltar ao hospital, e iniciar as operações. Só voltaria para casa no dia seguinte, por volta do meio dia.

A dedicação tinha um propósito, fazia parte de um grande projeto, que contribuiria não só para sua trajetória profissional e pessoal, como seria a garantia de um serviço muito importante para uma população de cerca de 300 mil pessoas.

O projeto era a implantação do serviço de Alta Complexidade em Neurologia e Neurocirurgia no Hospital São Lucas, que está completando 10 anos de funcionamento, idade que coincide com o tempo de atendimento de Galvan em Pato Branco, cidade que o médico conheceu antes de se tornar um respeitado neurocirurgião.

Trajetória

Cleverson Galvan poderia ter se tornado um dentista. Seus planos eram esses quando saiu de Presidente Castelo Branco, pequena cidade do oeste catarinense rumo a Itajaí, onde faria o pré-vestibular com foco no curso de Odontologia.

Porém, seu desempenho nos estudos indicava boas chances de aprovação no vestibular de Medicina, e assim o fez, sendo aprovado no curso da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), onde ingressou em 1996.

No terceiro ano de medicina, durante as aulas de anatomia, a estrutura e o funcionamento do cérebro e da coluna lhe despertaram o fascínio pela área da neurologia. Passou a estudar a área com atenção especial, contanto com o incentivo e auxílio de professores, e decidiu então que seria neurocirurgião.

Naquele tempo, os cinco primeiros anos do curso da UFPEL tinham caráter mais teórico, e o último ano totalmente prático. Galvan fez o chamado sexto ano no Hospital Conceição, em Porto Alegre.

Concluiu Medicina em 2002, mas antes de alcançar seu objetivo passou por uma breve etapa de trabalho no interior do Rio Grande do Sul. Por aproximadamente um ano, em 2003, Galvan foi clínico geral no sistema público de saúde da cidade de Gentil, município de cerca de 2 mil habitantes, próximo a Passo Fundo.

Lá atendia a todo tipo de necessidade enquanto se preparava para a residência em neurocirurgia, curso no qual ingressou em 2004, no Hospital Pompéia, em Caxias do Sul.

Desde a época que cursava a residência, Cleverson Galvan estava noivo de Marina Pretto, hoje sua esposa, que na época estudava Arquitetura em Porto Alegre. Marina é natural de Pato Branco, apesar de suas raízes gaúchas, e assim começou a se desenhar o futuro do médico na região Sudoeste.

Galvan conheceu a cidade ao visitar os sogros junto com sua então noiva nos feriados prolongados entre os estudos de ambos. Nas estadias, conheceu médicos ligados ao Hospital São Lucas, como Cesar Augusto Macedo de Souza, pediatra, e João Antônio Schemberk Junior, hoje em Curitiba, e no início de 2007, Galvan visitou a estrutura do hospital.

O São Lucas já tinha a intenção de oferecer a Alta Complexidade em Neurologia e Neurocirurgia, e uma porta foi aberta para o médico. Galvan precisou decidir entre Pato Branco e Itajaí, onde havia uma outra oportunidade.

Desde os tempos de faculdade, Galvan fazia estágios no Hospital e Maternidade Marieta Konder Bornhausen, na cidade do litoral catarinense, onde também trabalha sua irmã, enfermeira, que atua na área de epidemiologia. Uma vaga de trabalho no hospital Marieta era praticamente certa, mas o médico preferiu Pato Branco.

Ainda em 2007, Galvan concluiu a residência em neurocirurgia, casou-se com Marina Pretto Galvan, e está na região até hoje. O casal tem dois filhos, Victório Pretto Galvan e Giovana Pretto Galvan

Alta complexidade

De modo geral, o trabalho de um neurologista é tratar as patologias clínicas relacionadas ao cérebro e a coluna, como por exemplo, os Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC´s), e a epilepsia.

Essa também é uma função do neurocirurgião, com o acréscimo da atribuição de realizar cirurgias. É o caso de Galvan, que realiza procedimentos para remoção de tumores, aneurismas, fraturas, entre várias outras situações.

Para oferecer um serviço de alta complexidade, um hospital precisa possuir profissionais de gabarito e uma estrutura adequada. No caso da neurocirurgia é necessário uma UTI muito bem equipada, e equipamentos bastante específicos para o centro cirúrgico, como microscópio e craniótomo.

Formalmente, o Hospital São Lucas passou a oferecer a Alta Complexidade em fevereiro de 2008. Desde então, o hospital se tornou uma referência regional no segmento, atendendo a pacientes oriundos de praticamente todos os municípios na abrangência da Sétima Regional de Saúde, além de municípios do oeste de Santa Catarina.

“A alta complexidade foi muito importante, pois atende a necessidade de uma grande região. Desde as patologias clínicas, até as situações de traumas. Antes havia uma certa dificuldade no atendimento, então nós montamos esse serviço e hoje a porta está aberta para todas essas demandas”, analisa Galvan.

Os números ilustram a importância do serviço. Em dez anos, o médico já contabiliza mais de 3 mil cirurgias de crânio e coluna realizadas no hospital. Para o total ainda seria necessário contar os procedimentos realizados pelo neurocirurgião André Beheregaray, que hoje completa a equipe.

Galvan supriu a demanda de atendimentos até que André, colega e também amigo, concluísse sua residência e passasse a compor a corpo clínico do São Lucas.  Parte da história desse período foi contada no início do texto. Hoje, ambos alternam a escala semanal de plantões.

Das cirurgias, Galvan conta que a maioria é para o tratamento de traumas, urgências que refletem de um dado preocupante: o grande número de acidentes de trânsito na região. Também há um grande número de cirurgias eletivas, para tratamentos de tumores, hérnias de disco, estenose de canal, entre outras patologias.

Capacitação

Atualmente, Galvan se dedica a atender as necessidades do hospital, opera esporadicamente no hospital Policlínica, e também as demandas de seu consultório próprio, que fica no Centro Médico Dr. Silvio Vidal, no centro de Pato Branco.

No consultório, Galvan realiza atendimentos de neurologia de modo geral, via convênios de saúde ou particulares. Tonturas, dores de cabeça, suspeita de tumores, dores ao longo da coluna são situações que podem ser atendidas pelo especialista.

Além disso, o médico investe em aperfeiçoamento e na busca de novas tecnologias e procedimentos. A mais recente envolve uma técnica de procedimento minimamente invasivo na coluna. 

Uma tecnologia que já vem sendo usada em Pato Branco é a do tratamento de dores via radiofrequência. O método é utilizado geralmente em casos de dores crônicas em que a medicação não é eficaz. De modo geral e resumido, o tratamento bloqueia o estímulo da dor, em um corte, por exemplo, impedindo que o organismo o reconheça. Ao que tudo indica, os próximos dez anos devem ser promissores.

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