quinta-feira, maio 26, 2022

Cruzando os céus do Sudoeste

Está próximo o dia que será comum olhar para o céu de Pato Branco e ver em cruzeiro uma aeronave modelo ATR-72.

Mariana Salles – Fotos: Helmuth Külh

A região sudoeste do Paraná é formada por 43 municípios. O mais populoso, Francisco Beltrão, tem cerca de 88 mil habitantes. Ou seja, nenhuma cidade de grande porte faz parte do roteiro da pampa gelada do estado. Ainda, essas cidades são relativamente novas. O município mais antigo é Palmas, que tem hoje 138 anos de emancipação – a capital, Curitiba, tem 324. A mais antiga, Paranaguá, completa 370 anos em 2018.

Esse cenário fez com que essa região, por bastante tempo, ficasse um pouco esquecida. E, seguindo o princípio de ação e reação, esse esquecimento criou um importante cenário político, com nomes que hoje são fortes em todo território nacional, para reunir forças a fim de viabilizar investimentos.

Ao que tudo indica, até aqui essa estratégia deu certo. Além de fazer com que o agronegócio, principal setor da economia sudoestina, alcançasse um nível comparável ao melhores do mundo, trouxe desenvolvimento em áreas como a saúde, a educação, o setor moveleiro e principalmente a tecnologia.

Parece que vai tudo muito bem, mas ainda há entraves primários que fazem, por exemplo, que grandes empresas prefiram outras localidades a se instalarem aqui. A principal delas é o difícil acesso.

As estradas que cruzam o Sudoeste são, em geral, muito lentas. Pista simples, muitas curvas, falta de acostamento são alguns dos problemas de nossa malha rodoviária. E chegar pelo céu era, até bem pouco tempo, uma alternativa apenas para aeronaves privadas devido a falta de aeroportos que comportassem voos regulares – e tentativas frustradas de manter uma companhia operando.

Recentemente esse problema foi solucionado, mais uma vez devido a insistência da força política que se criou por aqui. Depois de muitas visitas à Brasília e alguns desentendimentos entre os líderes da região, Pato Branco conseguiu a ampliação do seu aeroporto e uma linha de voo regular atendida pela companhia aérea Azul, que pretende começar a operar no dia 9 de abril, mas ainda espera a liberação da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).

A previsão é que, a partir desse dia, a gente receba, dia sim, dia não, uma aeronave modelo ATR-72, que levará até 70 passageiros a Curitiba – e os trarão de lá até aqui.

Conheça um pouco mais sobre o modelo antes de apertar os cintos e fazer boa viagem.

  • O ATR-72 é uma aeronave comercial bimotor pressurizada, de médio porte e propulsão turboélice, com asas altas.
  • Ela tem capacidade para transportar de 68 passageiros – na configuração de média densidade — ou 72 passageiros – na configuração de alta densidade, mais um piloto, um copiloto e dois comissários.
  • Foi desenvolvida na década de 1980, em conjunto de fabricantes de vários países europeus, e fabricada em larga escala pela francesa ATR – Avions de Transport Régional.
  • A aeronave foi projetada para atender pedidos de companhias aéreas regionais por um tipo de equipamento adaptado para operação em pistas de pouso com menos de 1.850 metros de comprimento, com procedimentos de decolagem e aproximação mais complexos. Devido a configuração das asas, montadas por cima da fuselagem, e a força de aceleração mais rápida dos motores turbo-hélice, o ATR 72 pode operar em aeroportos com pistas pequenas, onde jatos comerciais maiores não conseguem pousar e decolar.
  • É indicada para rotas domésticas, ou seja, viagens intermunicipais e interestaduais, de no máximo duas horas de duração. Em rotas de mais de 750 quilômetros, aeronaves com motorização turbofan acabam sendo mais vantajosas que as aeronaves turboélice por serem mais velozes e com maior produtividade.
  • O ATR 72-600 é considerado o avião com motores turbo-hélice mais moderno e seguro do mundo. Com quase 600 unidades produzidas e operando, registrou apenas sete acidentes.
  • A aeronave da Azul pode decolar com peso máximo de 22.000 kg.
  • Utiliza motores Pratt & Whitney PW127F, fabricados no Cadaná, que geram, cada um, 2.475 hp.
  • Ela alcança a altitude de até 7.620 metros. Os jatos voam acima de 10 mil metros.
  • Pode voar a velocidade máxima de 511 km/h e tem alcance de até 1.530 km.
  • Seu consumo médio é de aproximadamente 700 kg / hora — 875 litros -, sendo aproximadamente 0,05 litro por passageiro em cada quilômetro voado.
  • Uma aeronave ATR-72 nova custa aproximadamente US$ 35 milhões.

Ultimas Notícias