quinta-feira, maio 26, 2022

Sobre o poder da Educação

Por Rosangela Marquezi

Monteiro Lobato já dizia, lá na primeira metade do século XX, que “um país se faz com homens e livros”, e essa é uma máxima que não há como refutar. Eu apenas modificaria um pouco e diria que se faz por “homens com livros”. Afinal, sem leitor que faça uso desse importante instrumento para o combate da mediocridade, um livro é apenas papel… Ou, para acompanharmos a modernidade, palavras em um computador, em um e-reader

O livro, na frase de Lobato, é, para mim, uma metonímia do conhecimento. É por meio desse poderoso instrumento do saber que temos acesso à sabedoria de todos os que já nos antecederam ou nos são contemporâneos, mas que sabem mais do que nós – porque o melhor sábio é aquele que reconhece sua ignorância… E para ter acesso a essa sabedoria, precisamos daqueles que, como já exaltava o famoso poeta Castro Alves, os semeiam… “Ó! Bendito o que semeia / Livros… livros à mão cheia / E manda o povo pensar! / O livro caindo n’alma / é germe – que faz a palma, / é chuva – que faz o mar.”

Sim. Bendito o que planta livros e dá acesso ao saber. Não se pode fechar a porta do conhecimento, a qual é, para muitos, a única que dará acesso a uma vida mais digna. Vemos, hoje em dia, alguns discursos muito equivocados que pregam que ao homem o melhor é apenas o trabalho, numa clara separação entre o Homo faber e o Homo sapiens. A divisão entre o ser que faz e o ser que pensa não pode ser mais aceita nos tempos em que vivemos. Há que se abrir as portas das escolas, da Educação Infantil à Superior, para que quanto mais sabedores de nossa ignorância, mais vontade de combatê-la tenhamos.

E se concordamos que um país se constrói pela educação, também temos que olhar por onde começa nossa nação: ou seja, nos milhares de municípios distribuídos pelo nosso Brasil. Para exemplificar, nada melhor do que olhar para o nosso, Pato Branco, que tem crescido e se desenvolvido de uma forma muito mais acentuada que outros, do mesmo porte, principalmente pela ação de mulheres e homens engajados na luta diária da construção do saber e da formação humana e que têm, na escola, o seu lugar de trabalho.

O exemplo que vem dos espaços escolares é fantástico. Reporto-me, aqui, com muito carinho, à Educação Infantil, base que abre a vida escolar do aluno e inicia a construção de um pilar que vai sustentar os outros níveis educacionais. A rede pública municipal de Pato Branco é exemplo e modelo para muitas outras cidades do Brasil. Uma educação que apresentou no ano passado um Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) de 7,5 – maior do Paraná entre cidades de 50.000 a 100.000 habitantes – superando, inclusive, a meta nacional estabelecida pelo MEC para 2021, que é de 6,6, é digna de reconhecimento.

Nosso Ensino Fundamental e Médio também são referências. Quando visito escolas para assistir aos estágios dos meus alunos, percebo o trabalho que educadores vêm fazendo no intuito de construir uma educação libertadora que vá além da sala de aula! Uma educação libertadora que saia às ruas e que se abra para o mundo. E isso ainda tendo que lutar – às vezes, literalmente – por mais valorização, respeito e reconhecimento. Esse ensino tem toda a chance de ir, como diz o famoso personagem de Toy Story, Buzz Lightyear: “Ao infinito… E além”.

Pensar sobre o poder transformador da educação em nossa cidade, é também falar da oportunidade de cursar uma faculdade que nossas instituições de Ensino Superior têm proporcionado a milhares de jovens. Não saberia precisar, mas – contando com o ensino a distância – sei que há dezenas de bons cursos sendo oferecidos, seja pela Fadep/NRE, Mater Dei/Positivo ou UTFPR. E ao citar esta não há como não lembrarmos do grande marco que foi a implantação do Centro Federal de Educação Tecnológica do Paraná – CEFET, no ano de 1993, em Pato Branco. Sua criação e posterior incorporação da Funesp (1994) – que hoje se materializa na UTFPR – certamente foi uma linha divisória no desenvolvimento da cidade, principalmente na questão tecnológica.

Enfim… Falar da educação em nossa cidade poderia bem render várias páginas e até se tornar um livro. Mas – pode soltar a respiração, leitor – não é meu objetivo. Meu desejo, ao escrever estas linhas, é apenas de evidenciar algo que é visível: a educação transforma o indivíduo que, por sua vez, se liberta. Ela permite, como bem já observaram tantos pensadores, a emancipação do homem, permitindo-lhe refletir sobre o seu fazer. E isso o torna um ser reflexivo que busca – com o outro, pois é na coletividade que se dão os melhores processos de mudança – a criação de um mundo mais justo e humano, pleno de possibilidades.

Em 21 anos de educadora – completados este ano – vi muitos e muitos jovens, aos quais conheci como professora, acenderem-se a si e aos outros, por meio do conhecimento. E se falo da importância da educação no desenvolvimento do ser e, por consequência, do lugar que este ser habita, é porque acredito que esta palavra/ação é a única que realmente pode livrar mulheres e homens das trevas que muitas vezes lhes habitam.

Ao se tornarem livres, podem ajudar o seu semelhante a também enxergar novos caminhos e juntos podem unir-se a outros e mais outros, até que finalmente se faça a luz-saber por completo.

Quiçá possamos sempre semear novos horizontes e livros, à mão-cheia, e juntos construamos um mundo melhor, para nós e para todos os que ainda virão!

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