quinta-feira, maio 26, 2022

Doze novas esperanças

Estudo de pesquisador sudoestino descobre novas espécies de insetos no Parque Nacional do Iguaçu

Por Nelson da Luz Junior – Fotos: Assessoria/Unila

O Parque Nacional do Iguaçu, na região da fronteira entre o Brasil e a Argentina, ocupa uma área total de 185.262,2 hectares. Por lá já se sabe que vivem cerca 257 espécies de borboletas, mas se especula que esse número deve chegar a 800, isso sem contar os 45 mamíferos catalogados, 12 anfíbios, 41 serpentes, 8 lagartos, 18 peixes e 200 espécies de aves – tudo isso de acordo com a página do Parque no site do ICMBio, (icmbio.gov.br/parnaiguacu).

Porém, essa lista precisa ser atualizada graças ao trabalho de um pesquisador natural da região sudoeste, (descobrir cidade). Marcos Fianco, biólogo e mestre em Biodiversidade Neotropical descobriu três novas espécies de esperança na área do parque, um inseto semelhante aos grilos.

Este é o número de espécies que já passaram por toda as etapas de reconhecimento exigidas pela ciência. No meio do processo de catalogação ainda estavam outras nove.

As descobertas são resultado da pesquisa para a dissertação de mestrado de Fianco, curso que frequentou na Universidade Federação da Integração Latino-Americana (Unila). O trabalho foi orientado pelo professor Luiz Roberto Ribeiro Faria Junior.

Em seu trabalho, o pesquisador se propôs a catalogar as espécies do grupo das esperanças que habitam no Parque e descrever os seus respectivos cantos. 

Ele encontrou 83 espécies diferentes, sendo mais de dez ainda desconhecidas pela ciência. Tal número coloca o Parque Nacional do Iguaçu como o detentor da segunda maior fauna local da América do Sul para o grupo, informou o pesquisador, por meio da assessoria de imprensa da universidade. Ele aproveitou para reforçar que o dado justifica a importância da preservação ambiental daquela área.

Graduado em biologia pela Unioeste, em Cascavel, Fianco estudou os grilos para seu trabalho de conclusão de curso. Para seu projeto de mestrado, o estudante tinha interesse em investigar alguma espécie ainda pouco estudada.

Escolheu as esperanças, que são próximas dos grilos. Pesou também o fato de que a fauna desses insetos no Brasil é riquíssima, ou seja, é um vasto universo que ainda carece de pesquisadores.

Aqui Fianco faz um aparte. Por “pesquisador” entende-se aqui alguém que possua doutorado no assunto, esteja no meio universitário formando novos pesquisadores no tema.

As esperanças são insetos que medem entre dois e cinco centímetros, em média, possuem hábitos noturno em sua maioria e pode-se dizer que são praticamente herbívoras. Possui asas verdes, muito parecidas com folhas.

Seu ciclo de vida pode ser medido pelas estações do ano. Os ovos são postos no inverno, que eclodem no início da primavera, e até o início do verão o indivíduo já é adulto. O inseto vive o verão e a primavera e morre no início do inverno. 

Batizadas em homenagem a cultura indígena, as espécies descobertas pela pesquisa, e já catalogadas são a Xenicola taroba, que lembra o guerreiro Tarobá, da lenda das Cataratas; a Xenicola xukrixi que foi batizada assim por ser uma espécie de pernas longas. Xukrixi significa aranha pequena em kaingang; e a Anisophya una. A palavra “una”, significa preto em guarani e única em latim. Ela recebeu esse nome por ser a única espécie de coloração preta do seu gênero.

Além da morfologia, por meio do canto também se consegue diferenciar uma espécie da outra, por isso o interesse da pesquisa nessa característica. Fianco explica que o som faz parte do rito de acasalamento dos insetos. Basicamente, o macho “canta” friccionando as asas para atrair a fêmea para a cópula.

“A Xenicola xukrixi, por exemplo, estridula (canta) a uma frequência de 73 kilohertz (kHz), altíssima para o grupo e mais de três vezes superior à acuidade do ouvido humano. Usamos um gravador específico que consegue detectar sons ultrassônicos”, disse Fianco, em material divulgado pela assessoria de imprensa da universidade.

Para captar o som em laboratório, os insetos são colocados em recipientes plásticos com uma tela, e aproxima o equipamento que fica gravando por cerca de cinco ou seis horas. Segundo Fianco, é possível estimular o canto do inseto, mas isso exige equipamentos que não estavam disponíveis para a realização do trabalho. Ao todo foram mais de 150 horas de gravação.

O pesquisador não se dá conta de a espécie é nova quando simplesmente bate o olho. Fianco explica que os exemplares coletados são analisados detalhadamente em laboratório. Quando as características não batem com as das espécies já reconhecidas, o alerta de que há uma possível novidade em mãos é acionado.

Mas ainda assim é preciso confirmar uma série de requisitos antes de cravar com certeza e dar os próximos passos, que são os seguintes: é preciso descrever a espécie, ou seja, escrever um texto com as características que possam ser verificadas por outros pesquisadores. “Qual a cor, o formato das estruturas importantes, como da cabeça, dos olhos”, lista Fianco. O pesquisador, inclusive, já encaminha o nome com o qual pretende batizar o novo “filho”, justificando o batismo.

A descrição é encaminhada a uma revista científica para passar pelo crivo de revisores, que confirmam ou não a descoberta. A revista internacional que validou e publicou o estudo de Fianco foi a Zootaxa.

Para concluir as expedições de campo foram necessários 40 dias de trabalho, ao longo de um ano. As investigações aconteceram em diferentes áreas do Parque, nos municípios de Foz do Iguaçu, Serranópolis do Iguaçu, Céu Azul e Santa Tereza do Oeste.

Pesquisa que descrevem a biodiversidade, como a realizada por Fianco na Unila mostram a importância das áreas de preservação natural. Esta é a opinião do professor e orientador do trabalho, Luiz Roberto Ribeiro Faria Junior. “Esta pesquisa só reforça o quanto o Parque é absurdamente rico e diverso. É uma área essencial para manter a biodiversidade da região e da Floresta Atlântica de interior. Nos surpreendemos em descobrir a quantidade de espécies de esperanças que temos no Parque. Uma informação que ainda era desconhecida, já que nunca tinha sido realizado um levantamento desse tipo”, disse o professor, por intermédio da assessoria da universidade.

Ele menciona ainda que o mestrado em Biodiversidade Neotropical da Unila também desenvolve pesquisas sobre vários outros grupos, como algas, sapos, abelhas e moscas.

Natural de Pato Branco, Marcos Fianco defendeu a dissertação na Unila no final do mês de julho

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