quinta-feira, maio 26, 2022

Força e foco

Conheça o Powerlifting, esporte ondem os atletas buscam superar os seus limites de força

Por Nelson da Luz Junior

Nos últimos anos, algumas novas modalidades esportivas estão ganhando mais visibilidade e também mais praticantes e entusiastas. É o caso do Powerlifting, um esporte de força, onde os atletas precisam levantar grandes cargas de peso e são submetidos a situações de grande esforço.

Neste caso, o melhor não seria dizer que se trata de uma modalidade nova, mas sim menos conhecida no Brasil. A modalidade foi criada ainda no início do século XX, mais precisamente na década de 1930, na Rússia.
Quem conta é Marcelo Bier, um dos primeiros, senão o primeiro atleta de Pato Branco a competir em torneios da categoria.     

Diferente do levantamento olímpico, o Powerlifting envolve a realização de três movimentos durante uma competição: o supino, onde o atleta levanta a barra com pesos deitado de costas; o agachamento e o terra, quando o atleta precisa erguer a barra de pesos do chão e deixar a coluna ereta, sem a necessidade de levantar acima da altura da cabeça como no halterofilismo olímpico.

Bier avalia que seria praticamente impossível realizar esse levantamento, pois alguns atletas de Powerlifting chegam a tirar do chão cargas de até 400 Kg. Ele esclarece ainda que, apesar de englobar três movimentos, também há torneios e competições com apenas um ou dois deles.

O atleta de Pato Branco compete há cerca de dois anos, e já conquistou algumas marcas expressivas. Sua preparação, porém, começou a bastante tempo. Bier teve seu primeiro contato com a modalidade por volta de 2012, em uma viagem de trabalho.

Na época ele já se envolvia com musculação e artes marciais, e conheceu o esporte em uma academia de ginástica na cidade de Maravilha, Santa Catarina, por intermédio de um professor praticante.

Com o interesse despertado, Bier começou os preparativos para se tornar um atleta. Mas durante um treinamento, ainda em 2012, o aspirante a competidor deslocou o ombro, o que por si só já atrasaria sua preparação.

Outro revés aconteceu quase simultaneamente a sua lesão. Seu pai, motorista de caminhão teve problemas de saúde e foi internado na cidade de Montes Claros, o que forçou uma viagem de Bier até a cidade mineira. Após cerca de dez dias de internamento o pai faleceu.

Desde então, o retorno aos treinos foi lento e gradativo até que em 2017, por incentivo de Rodrigo Poderoso, que foi seu professor de Jiu Jitsu, Bier se convenceu que estava pronto para competir.

Conseguiu bons resultados já em suas primeiras competições, como o título sul-americano na categoria sub-master, onde competem atletas que pesam até 110 Kg, além de títulos brasileiros, e um título mundial pela Confederação Uruguaia de Atletas de força.

Alcançar tais objetivos envolve muita preparação, sacrifícios e dores. Bier conta que a preparação envolve vários fatores. “Você precisa aumentar força de tendão. Fazer o seu corpo se conformar com as dores, se conformar com o tipo de alimentação. É uma mudança de hábitos gigantesca”, detalha.

Tudo começa com uma série de exames detalhados, para verificar a condição física, requisitos e outras informações necessárias para iniciar o caminho, de acordo com a modalidade e principalmente ao peso que se pretende alcançar.

Aumentar o peso, diz o atleta, é algo demorado e difícil, pois o objetivo é o aumento de massa magra. O processo pode demorar anos. Dieta rigorosa, treinamentos de força, alongamentos, fisioterapia e descanso também fazem parte da rotina.

Bier contou sobre seu cotidiano em tempos de competição. O dia começa na academia, com treinamentos aeróbicos. Depois vem a refeição, em torno de 10 claras de ovos e bacon.

O almoço é feito de arroz branco, frango ou carne vermelha, e salada, sobretudo cenoura e beterraba. O cardápio do almoço é repetido em refeições no meio e no fim da tarde.

A noite Bier realiza o treino “trash”, como costuma dizer. Uma hora seguida de supino, com cargas que vão de 212 Kg a 220 Kg. No dia seguinte, uma hora de agachamentos e no seguinte a mesma duração de sequências de terra. Além de outros exercícios.

Para a academia Bier vai de segunda a sexta, com ou sem competições na agenda. Quando é preciso alcançar algum peso específico, por exemplo, o treinamento pode chegar aos domingos.   

 No treino, porém, o atleta costuma levantar mais peso do que nas competições. O motivo, estar preparado para enfrentar as adversidades. “Eu treino para poder suportar a galera gritando, para ter a confiança de poder levantar o peso. Na competição é sempre menor”, comenta.

“A galera” é a torcida, que assim como no futebol também tem seus atletas favoritos e que por isso tentam desestabilizar os adversários. Também provocações nos bastidores por parte de atletas, com o mesmo objetivo. Há também questões técnicas como tamanho de barras e precisão de peso das anilhas, que podem diferenciar das usadas no treino.

Ou seja, não basta força, é preciso também ter equilíbrio emocional e concentração. Bier lembra, por exemplo, que esqueceu de se concentrar na respiração em um torneio, e não conseguiu erguer a barra.

Para 2018 a meta do atleta era estar no grupo de competidores chamado de top 200, ou seja, que conseguem erguer cargas acima de 200 Kg. Segundo ele, há apenas três competidores brasileiros nesse patamar. Ele está quase se tornando o quarto, pois já bateu a marca de 180 Kg. Apesar de parecer pouco, aumentar um quilograma de desempenho que seja é uma tarefa trabalhosa.

As competições continuam no seu radar. Ele já está classificado para o sul-americano que será realizada na Colômbia, e por duas vezes já conseguiu índices que o qualificam para o torneio mundial, realizado em Las Vegas.

O empecilho para chegar a disputa ainda é a falta de patrocínio suficiente. Este, aliás, seria o grande desafio enquanto atleta de Powerlifting. Ele explica que os grandes custos não envolvem apenas o translado e a hospedagem. Há também todas as necessidades por trás da preparação.

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