quinta-feira, maio 26, 2022

O que te faz sair da cama?

Participamos do Summit Sebrae 2018, o maior evento de empreendedorismo do Paraná

Por Nelson da Luz Junior – Fotos: Regis Santos/Assessoria

Ao cruzar a entrada, o som de uma borrifada como a de um desodorante aerossol chamou a atenção. Mas a fonte do ruído foi difícil de identificar no meio do hall decorado predominantemente em lilás. Tapetes, pufes, totens para recarregar a bateria de dispositivos móveis, câmera interativa que captura o humor de quem passa pela frente, enfim, o ambiente podia ser descrito como convidativo, formal apenas o suficiente.

Estou em Curitiba, mais precisamente na Expo Unimed, nos dias 19 e 20 de novembro de 2018. É o local e a data do Summit Sebrae 2018, que se apresenta como o maior evento de empreendedorismo do Paraná. Nos dois dias de atividade milhares de pessoas participaram de palestras, rodadas de negócios, debates e confraternizações. Em resumo, era um evento corporativo, mas de um jeito bem mais despojado.

O clima era de entretenimento. No palco, nada de púlpitos ou protocolos, os palestrantes eram recebidos com luzes piscantes e música, como artista antes prestes a performar. E de fato por ali passou gente graúda, que muito provavelmente são referências para a plateia, formada em sua grande maioria por empreendedores. Cristiana Arcangeli, Carla Sarni, André Boaventura e Tonico Novaes estavam no cast, falando sobre o case de seus projetos, negócios, perspectivas, tecnologias, mas principalmente sobre a cultura corporativa dos dias de hoje.

Conceitos como colaboração, mundo conectado e a diminuição da distância

de relacionamento entre o topo e a base da hierarquia foram conceitos exaltados por grande parte dos palestrantes.

Outro ponto. Se você pensa em empreender pensando em ganhar dinheiro está começando errado. O discurso que predominou foi o do propósito, ou o motivo que te faz sair da cama e dedicar boa parte do seu tempo trabalhando. Ou ainda, se suas atitudes transformam o mundo de alguma forma. Dinheiro seria uma consequência.

Ater Cristófoli, fundador da Cristófoli Equipamentos de Biossegurança, provocou se valeria a pena investir o que se tem de mais precioso, o tempo, em uma função desagradável para curtir a vida na velhice. A empresa de Ater é líder no mercado nacional de autoclaves de mesa, e ele é o idealizador da Fundação Educere, um centro de pesquisas na área de biotecnologia, cujo foco principal é a incubação de empresas a partir de um projeto social ligado a formação de jovens.

Carla Sarni é dentista e fundadora da Sorridents, maior rede de clínicas odontológicas da América Latina. Disse ela que seu trabalho partiu do princípio de que saúde é um direito, e que havia muitas pessoas sem acesso a tratamento dentário no Brasil.

Outros cases apresentados no evento mostravam comemorações coletivas de alcance de metas, com comes, bebes, balões e festa em pleno escritório. Se na prática tudo funciona mesmo assim é difícil cravar, mas todos pareciam convictos de que o caminho é esse mesmo, e é quase certo que ninguém esteja insatisfeito com o saldo bancário.

A ideia de fazer um encontro menos sisudo como costumavam ser os encontros empresariais não é à toa. Vitor Tioqueta, diretor superintendente do Sebrae/PR me contou que a proposta faz parte de um projeto de aproximar ainda mais a linguagem do serviço a esse novo ecossistema corporativo.

Ele disse ainda que o Summit Sebrae também foi uma espécie de encerramento de uma série de seminários chamada Desafios do Crescimento, que percorreu as regionais do Sebrae no estado promovendo o empreendedorismo a partir de um ponto de vista em especial, o do relacionamento.

“Nós percebemos que o desenvolvimento dessas empresas está baseado no relacionamento. Isso faz com que, além da busca de conhecimento, a busca de novos negócios, quando elas conseguem conversar entre si, e mostrar os resultados positivos que elas tendo, você percebe que elas têm mais chance de crescer”, analisa.

As empresas a que Vitor se refere são particularmente as envolvidas nos programas do Sebrae de aceleração de start ups e de empresas de alto potencial, alguns dos nichos que vem sendo atendidas de modo específico pela entidade.

Além das rodadas de negócios, um aplicativo para dispositivos móveis ajudou a promover interações. Nos moldes de um Facebook, o aplicativo tem timeline, onde os participantes publicavam fotos e comentários sobre o evento, ou mesmo vendiam seu peixe. Por meio da ferramenta também é possível adicionar participantes em uma lista de contatos e conversar via chat. Todo o material de slides apresentado nos seminários foi disponibilizado gratuitamente e há espaços para avaliação de cada atividade.

Outra aposta do evento foi investir na experiência dos participantes. Um sistema interno de transmissão de áudio permitia ouvir as explanações dos pits temáticos que aconteciam simultaneamente. Bastava retirar um fone de ouvido e sintonizar na frequência do pit de interesse.


Quando elogiei o ambiente perfumado, fui informado por uma assessora de imprensa que a fragrância foi pensada especialmente para a ocasião. Ela apontou para o alto das portas, onde estavam os borrifadores, aqueles que ouvi, mas não vi, assim que cheguei ao evento.

No happy hour, movido a cervejas artesanais, outro segmento de grande potencial no Paraná, havia um rótulo desenvolvido especialmente para ser servido no evento.

O espaço onde aconteceu o Summit Sebrae foi dividido em três áreas. O auditório, a área de convivência e o espaço experiência Sebrae, onde estavam os expositores, ou seja, proprietários e representantes de startups e empresas de alto potencial.

A Cervejaria Insana, de Palmas, estava por lá mostrando seus principais rótulos. Pedro Reis, um dos fundadores da marca, conta que participar do programa de empresas de Alto Potencial trouxe uma nova visão de mercado para a cervejaria. “Tivemos acesso a informações e conhecimentos que ainda não tínhamos, aprendemos a reconhecer erros, e aprendeu que a gente pode crescer exponencialmente numa velocidade muito maior”, opinou.

Como expositor, Reis relatou ter feito bons contatos. “Com cabeças totalmente diferentes, abertas, que nos levam a entender o mundo de uma maneira a partir da perspectiva do cliente”, detalhou. Os contatos comerciais também foram satisfatórios, especialmente com restaurantes, bares e hotéis, diz ele.

Do lado das Startups, a Whatplay (whatplay.com.br) era uma das representantes de Pato Branco e do Sudoeste. A empresa se propõe a resolver uma dificuldade que faz parte da rotina de muita gente, a de encontrar e reservar espaços para a prática de esportes e atividades físicas. “Além de encontrar um local, outro problema é saber quais horários estão disponíveis”, completa Thiarles Prado, sócio fundador.

Uma situação relativamente simples, mas que podem exigir várias ligações telefônicas, trocas de contatos e pesquisas na internet muitas vezes infrutíferas. Ou seja, que envolve muito tempo e rende pouca eficiência.

Prado conta que a WhatPlay é uma plataforma onde os proprietários de campos sintéticos, clubes e outros espaços realizam cadastros com fotos e informações sobre o local. O usuário, também por meio da plataforma, pesquisa espaços e realiza reservas. “O projeto tem três pilares: encontrar e fazer a reserva do espaço, outro é o pagamento através do aplicativo, que deve ser lançado em alguns meses, e também a questão de marketing, pois a divulgação nos meios digitais se torna mais barata”, detalhou.


Pagar por meio do aplicativo resolve dois problemas, segundo Prado, o de eventuais indisposições no rateio do valor entre os participantes, e a inadimplência.

O projeto também pretende incluir funcionalidades que ajudem os praticantes a achar parceiros de jogo, outra dificuldade dos adeptos de esportes coletivos. Prado destaca ainda outro diferencial, que é a inclusão de espaços para práticas esportivas menos convencionais, como o arco e flecha, por exemplo.

Prado explica que a participação no Summit Sebrae foi aproveitada para realizar o pré-lançamento da plataforma, divulgar a ideia e coletar percepções dos visitantes. Haverão ainda outras etapas até a divulgação para o público final.

Também sudoestina, a Lead Finder (leadfinder.com.br) tem cerca de oito meses de mercado, e atua no mapeamento de oportunidades de negócio. De acordo com Rafael Marques, diretor de negócios, a startup oferece uma plataforma de busca e mapeamento de oportunidades de negócios, especificamente de empresas que vendem para empresas. “Nós as ajudamos a encontrar seus clientes. Temos hoje na plataforma a base de todos os CNPJ´s ativos no Brasil”, explica.

Em resumo, se você é representante de algum produto e precisar de uma lista de 100 supermercados em Curitiba, a plataforma disponibiliza, por exemplo, além de alguns serviços. “Algumas empresas não possuem setores de prospecção e qualificação desses contatos. A gente também oferece isso”, completa.

Marques avalia que a participação no Summit foi proveitosa, tendo em vista o bom número de contatos com potencial de virar negócios. “O evento é voltado para empresários e investidores, que visitam os expositores para conhecer o seu potencial, e quem sabe gerar um relacionamento, fechar negócios. Além disso a parte de infraestrutura é fantástica”, avalia o diretor.


“Nós percebemos que o desenvolvimento dessas empresas está baseado no relacionamento. Isso faz com que, além da busca de conhecimento, a busca de novos negócios, quando elas conseguem conversar entre si, e mostrar os resultados positivos que elas tendo, você percebe que elas têm mais chance de crescer”, Vitor Tioqueta – Diretor Superintendente do Sebrae/PR.

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