quinta-feira, maio 26, 2022

Das pickups para as letras

Publicitário, DJ e agora compositor. Como Mazinho Bertazo passou a escrever letras para artistas e grupos tradicionalistas

Iomar Bertazo, muito mais conhecido como Mazinho Bertazo, é um artista respeitado por vários talentos. Um deles é a arte gráfica e digital para a publicidade com uma coleção de trabalhos relevantes desenvolvidos ao longo de mais de 20 anos de trajetória profissional. Entre anúncios e logotipos, alguns de seus projetos mais conhecidos foram feitos para o Município de Pato Branco.

Mais recentemente Mazinho tem se destacado em outra área, ainda que não necessariamente nova na sua carreira: a música. Muito provavelmente você já ouviu falar do “DJ Mazinho”, que animou festas e confraternizações por intermédio da empresa do irmão Everaldo, a EV Som e Luz Profissional.

Esta função Mazinho aposentou há cerca de dez anos. Hoje, seu trabalho vai além de mixar e criar remixes, pois o DJ virou compositor.

Natural de Ponta Grossa e criado em Mariópolis, Mazinho aprendeu a apreciar música através dos pais. O pai, Vilson Bertazo, era hábil em criar versos de improviso, as trovas, a arte da cultura gaúcha de criar versos imediatos, geralmente acompanhadas da cordeona. Ainda que fosse praticante de forma amadora, seu Bertasso conquistou troféus em eventos e rodeios. O pai de Mazinho também teve um salão de bailes em Mariópolis, o que o aproximou da realidade e do cotidiano dos grupos tradicionalistas gaúchos.

Vilson faleceu em 2005, o que de certo modo despertou a vontade de Mazinho em compor. Na noite do funeral do pai, ele teve a inspiração de escrever uma poesia em sua homenagem, declamada por um amigo na cerimônia de despedida.

Por vários anos Mazinho guardou algumas poesias e textos que criava na brincadeira, assim como algumas trovas que fazia em encontros de família, também por diversão. Em 2018, uma matéria de jornal foi lida como oportunidade. Em Francisco Beltrão aconteceria um concurso de trovadores tradicionalistas amadores durante a Semana Farroupilha, e o multiartista resolveu se arriscar.

Era um concurso de tema livre, e Mazinho, estreante, foi vencendo etapas e gradativamente superando vários dos cerca de 40 inscritos na competição. Terminou em quinto lugar.

Um dos jurados, José Alexandre, conhecido do grande Gildo de Freitas, elogiou o trabalho de Mazinho e incentivou que continuasse trovando. “Ele me disse que eu tinha jeito pra coisa, e estimulou que eu escrevesse, colocasse as rimas no papel”, conta o compositor.

Foi o que ele fez. Mazinho compôs algumas músicas e uma poesia, em homenagem a Gildo de Freitas, considerado o rei dos trovadores, que completaria 100 anos de idade em 2019.

A família e os amigos elogiaram o trabalho, mas ele queria a opinião de algum observador externo e que entendesse do assunto. Enviou a letra para Odilon Ramos, referência em poesia tradicionalista gaúcha. Odilon não só gostou como o declamou em seu programa transmitido pelo Facebook, grande sinal de que o trabalho estava aprovado.

Mas Mazinho queria mais, e conseguiu que Odilon gravasse a obra, que já está nas plataformas de streaming.

Esta foi a primeira composição que saiu do papel, ganhou o mundo, e acabou servindo de cartão de visitas para outras gravações. Depois desta vieram outras 11 músicas registradas. Uma delas, “Campeando Wi-Fi”, gravada por Sandro Oliveira & Grupo Fole Solto, rendeu até um videoclipe filmado em Francisco Beltrão. A faixa “Cordeona no Corona” foi gravada por vários artistas de forma remota, no contexto da pandemia de covid-19.

Mazinho já colhe alguns frutos de seu trabalho como compositor, e pensa nos próximos passos. Além do tradicionalismo gaúcho, o compositor quer também entrar no mundo da música sertaneja.

Ouça as composições no Spotify

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